O peso de uma cidade, proveniente das suas atmosferas e velocidades fisicamente construídas, de alguma forma faz-nos sentir cansados e perdidos. Sem percebermos, esse peso tem moldado a forma como pensamos, sentimos, consumimos e projetamos coisas; como o planeamento urbano, a arquitetura, o nosso ambiente construído, que mais tarde se torna parte da nossa vida na cidade.
A minha pergunta, para um diálogo mais aprofundado, é como tornar a nossa cidade mais leve e suave. Uma cidade com alma, na qual sentimos qualidades humanas. Na nossa forma de pensar asiática, acreditamos que tudo tem a sua própria alma. Alma, neste sentido, significa uma qualidade natural que sentimos e partilhamos de forma comum e coletiva. A cidade também tem uma alma como nós. Esta alma não pode ser separada da natureza que a rodeia e das pessoas que lá vivem. E esta alma é a base de toda a criação e criatividade na nossa vida quotidiana. Uma cidade saudável e com alma pode ser representada pela rede rica e complexa entre a cidade, a natureza e as pessoas.
Para tornar uma cidade mais leve e suave nas situações mais desafiantes. De alguma forma, precisamos reviver esta forma de pensar de maneira contemporânea através do processo de design e planeamento de uma cidade. Um sistema insensível de como as cidades têm sido geridas e funcionado no contexto descolonizado. Precisamos de uma nova história de desenvolvimento futuro que possa ser conectada às nossas próprias raízes, à nossa própria língua, ao nosso próprio povo e à nossa mãe natureza. É um processo coletivo de manter o fluxo da natureza, restabelecer e reintroduzir a relação mútua entre a nossa vida e as outras espécies, bem como descobrir a alma viva que subsiste na nossa terra e no nosso povo. Tudo isto pode ser uma pista para um futuro comum.
Supawut Boonmahathanakorn
Supawut Boonmahathanakorn é um arquiteto tailandês. Lidera o atelier JaiBaan Studio, sediado em Chiang Mai, que procura encontrar o equilíbrio entre as necessidades humanas e a natureza. O seu trabalho, tanto em contextos urbanos como suburbanos, centra-se na resiliência e nas dimensões culturais da urbanização no Sudeste Asiático. Supawut explora frequentemente de que forma os sistemas de conhecimento tradicional podem informar os desafios contemporâneos do design, especialmente no contexto das alterações climáticas e da perda de biodiversidade. Tem contribuído para projectos regionais e locais que ligam a arquitectura, a paisagem, o planeamento urbano e a justiça social. O seu trabalho reflecte um compromisso com a criação de soluções urbanas mais sustentáveis, inclusivas e baseadas na natureza.