Sétima Trienal de Arquitectura de Lisboa

O «urbano» já não é um lugar — nem está contido num pedaço de terra chamado cidade — mas sim uma ação: uma coreografia de negociações entre a vida humana e a vida mais do que humana. É realizada através da reunião e infiltração mútua de seres, infraestruturas, redes de energia, logística, polinização e dados. Não há aqui universalidade, nem descontinuidade. Cada uma destas encenações compõe aquilo a que chamamos de urbano: um palco onde a coexistência é constantemente testada, respondida e renegociada.

Pensar o urbano hoje é reconhecer a sua transescalaridade: como um clique num smartphone, um corpo a atravessar um campo ou uma espécie a adaptar-se a uma ilha de calor atuam como agentes no mesmo guião urbano. O urbano excede a cidade.

O urbanismo torna-se, assim, o estudo de como as escalas transitam; como a extração planetária se encontra com a intimidade doméstica, como o político é traduzido através do emaranhado material e biológico. O urbano é ativado onde quer que estas travessias ocorram; é menos uma geografia do que a performance da interdependência.




Andrés Jaque

Andrés Jaque

Andrés Jaque é arquiteto, escritor e curador cujo trabalho explora a arquitetura como uma prática cosmopolítica. É reitor da GSAPP da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Em 2003, fundou o Office for Political Innovation, uma agência transdisciplinar que trabalha na intersecção entre design, investigação e ativismo ambiental. Os seus projetos exploram frequentemente redes sociais e ecológicas. Em 2016, venceu o 10.º Prémio Frederick Kiesler de Arquitetura e Artes. Em 2024, ganhou o Prémio Global da UNESCO para a Arquitetura Sustentável e, em 2014, o Leão de Prata para o Melhor Projeto na 14.ª Bienal de Veneza. Jaque é autor de projetos arquitetónicos premiados, incluindo a Escola Reggio (El Encinar de los Reyes, 2020) e o Museu da Memória e do Esquecimento Babin Yar, em Kiev.